PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Reajuste no Planserv chega a 270% e provoca reação de sindicatos na Bahia

As alterações recentes no modelo de cobrança do Planserv têm provocado forte insatisfação entre servidores públicos estaduais da Bahia. Entidades sindicais denunciam que a nova forma de cálculo da contribuição resultou em reajustes que podem alcançar até 270% no valor mensal pago pelos beneficiários, conforme apontado pelo Sindicato dos Fazendários do Estado da Bahia (Sindsefaz).

Com a mudança, o plano deixou de adotar faixas fixas de pagamento e passou a vincular a mensalidade diretamente ao salário do servidor. Para os sindicatos, a medida impacta de forma mais severa servidores de renda média, além de aposentados e pensionistas, que passaram a comprometer uma fatia maior do orçamento com o plano de saúde.

Outro ponto de preocupação envolve os prestadores de serviço. Clínicas e profissionais relatam atrasos nos repasses financeiros, o que tem levado à suspensão ou ameaça de interrupção de atendimentos em diversas especialidades. Na avaliação dos servidores, o cenário é de aumento nos custos sem contrapartida em melhoria da cobertura ou ampliação da rede credenciada.

O Sindsefaz classificou os novos valores como “descontos abusivos” e destacou que não houve, até o momento, avanços concretos na qualidade dos serviços oferecidos pelo Planserv. Entidades representativas do setor educacional, como a Aduneb, a Adusc/Adusb e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), também se manifestaram publicamente contra o reajuste, criticando a ausência de diálogo prévio com as categorias.

Em nota, a Andes-SN apontou ainda falta de transparência na gestão do plano, mencionando a participação de empresas privadas ligadas ao setor de saúde suplementar na administração do serviço. Já o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado da Bahia (ADPEB/Sindicato) informou que instaurou procedimento jurídico e técnico para analisar a legalidade da mudança, os critérios utilizados nos cálculos e os impactos financeiros observados nos contracheques de janeiro de 2026.

Segundo as entidades, o aumento das contribuições se soma a problemas antigos do Planserv, como redução da rede conveniada, dificuldade para marcar consultas e exames, demora no atendimento e paralisação de serviços por parte de prestadores.

O Sindsefaz informou que adotará medidas para apurar os critérios utilizados na definição dos novos descontos. A diretoria da Andes-SN defende a revogação da legislação que instituiu o novo modelo e a reestruturação do Planserv, com foco na melhoria do serviço e em um processo de diálogo amplo e transparente com o funcionalismo estadual.

A Aduneb, por sua vez, afirmou que avalia estratégias jurídicas e orientou docentes prejudicados da UNEB a encaminharem, por e-mail, os contracheques de dezembro de 2025 e janeiro de 2026 para análise, como parte das providências iniciais adotadas pela entidade.

Leia mais

PUBLICIDADE