MORTE EM HOSPITAL PÚBLICO ESCANCARA NEGLIGÊNCIA E COLOCA GOVERNO DA BAHIA SOB PRESSÃO
É impossível tratar como um caso isolado o que aconteceu com Bernadeth Maria Rocha Neto, de 56 anos. A morte da servidora pública escancara uma realidade dura, revoltante e, acima de tudo, inaceitável: a negligência na saúde pública sob responsabilidade do Governo da Bahia. O Hospital Regional Luiz Eduardo Magalhães, em Porto Seguro — que já foi referência no atendimento à população do Extremo Sul — hoje simboliza o abandono e o descaso com vidas humanas.
Na terça-feira, 31 de março, Bernadeth ainda teve forças para gravar um vídeo dentro da unidade hospitalar, onde aparece implorando por atendimento. Em um dos trechos mais chocantes, ela desabafa: “Estou pedindo socorro e não estão nem aí pra mim.” Um pedido desesperado que deveria ter mobilizado uma resposta imediata, mas que, na prática, foi ignorado. No dia seguinte, 1º de abril, veio a confirmação mais cruel: Bernadeth morreu sem receber o atendimento rápido e necessário. Uma morte que carrega não apenas dor, mas também indignação e questionamentos que não podem ser silenciados.
A revolta toma conta da família, amigos e moradores do distrito de Sapirara, onde Bernadeth era conhecida pelo seu trabalho social e dedicação à comunidade. O sentimento é de abandono, de injustiça e de impotência diante de um sistema que falha justamente quando mais se precisa dele. A morte de uma cidadã que implorou por socorro dentro de um hospital público não pode ser tratada como rotina — é um alerta grave sobre o colapso no atendimento.
Diante disso, a responsabilidade recai diretamente sobre o Estado da Bahia e sua gestão. Até quando vidas serão perdidas por falta de atendimento? Até quando o silêncio vai prevalecer diante de situações tão graves? O que aconteceu com Bernadeth não é apenas lamentável — é uma denúncia clara de negligência. Uma triste realidade que precisa ser enfrentada com urgência, antes que novas mortes anunciadas voltem a acontecer.
