Reconhecida por sua atuação em defesa dos direitos das mulheres e da infância, Damares Alves, senadora pelo Distrito Federal, tem direcionado parte de seu mandato ao enfrentamento da violência doméstica, inclusive em espaços historicamente pouco debatidos, como o ambiente religioso.
Com trajetória ligada à igreja evangélica, ela afirma que a fé pode — e deve — ser aliada na proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade. Nesta entrevista exclusiva à Comunhão, a parlamentar fala sobre desafios, aponta caminhos e defende uma atuação mais firme das lideranças religiosas, em parceria com o Estado.
Não é de hoje. É uma preocupação que me acompanha há décadas. Eu fui criada na igreja, dentro de nossos valores, e o que vi é que em muitos episódios a resposta da igreja não é adequada para a proteção da mulher. Quantas vezes eu vi o pastor orar pela irmã que estava sendo agredida em casa e indicar a ela somente orações? Isso precisava ser revisto.
O pastor, o líder religioso, tem uma grande responsabilidade nas mãos que é proteger quem está vulnerável. Por isso tenho feito esse desafio à igreja, incentivando que irmãos e irmãs trabalhem para que o lar seja menos perigoso. Criei no meu mandato a campanha Se Liga, Irmã. Percorri igrejas do Distrito Federal para alertar sobre a necessidade de ação por parte das lideranças religiosas e dos membros. A iniciativa teve muito sucesso e hoje é conduzida pelo Instituto Flores de Aço.
Ainda assim, você acredita que as evangélicas estão entre as principais vertentes que denunciam violência doméstica no Ligue 180? Foi um soco no estômago quando eu soube disso, ainda como ministra da pasta da Mulher. Percebi que algo precisava mudar.
Isso só vai acontecer com mais informação, com orientação sobre como buscar ajuda. Por questões culturais, muitas mulheres do nosso meio ainda se calam — às vezes até que seja tarde demais. Isso eu não posso admitir.
