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Justiça Eleitoral confirma gravidade de esquema e determina retotalização de votos em Eunápolis

Documentos oficiais da Justiça Eleitoral revelam um dos casos mais graves de corrupção eleitoral já registrados em Eunápolis. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o vereador reeleito Adriano Cardoso Caires descreve, com base em provas técnicas, perícias e depoimentos, um esquema estruturado de compra de votos nas eleições municipais de 2024.

Segundo os autos, o próprio juiz eleitoral flagrou, no dia da votação, a residência do investigado funcionando como uma verdadeira “central de atendimento eleitoral”, com computadores, planilhas, listas de eleitores, material de campanha e intensa movimentação de pessoas. A apreensão revelou a chamada planilha “Povo de Rua”, contendo quase 4 mil eleitores associados a pagamentos padronizados de R$ 100 por voto, totalizando mais de R$ 400 mil, valor absolutamente incompatível com a prestação de contas oficial da campanha.

Conversas extraídas de celulares, transferências via PIX, envio de títulos eleitorais como “comprovantes” e depoimentos convergentes demonstram a existência de um modus operandi profissionalizado de captação ilícita de sufrágio, com participação direta do candidato, assessores e até familiares. Benefícios como dinheiro, transporte de eleitores, promessas de favores administrativos e até emissão irregular de atestados médicos também constam das investigações.

Em primeira instância, a Justiça Eleitoral reconheceu abuso de poder econômico e político, cassou o diploma do vereador, declarou sua inelegibilidade por oito anos e aplicou multa elevada. Em despacho recente, o juiz eleitoral determinou a retotalização dos votos para vereador em Eunápolis, confirmando os efeitos imediatos da decisão.

O conjunto probatório descrito nos documentos desmonta a tese de perseguição política ou fragilidade das provas. O que emerge dos autos é um ataque frontal à lisura do processo democrático, com uso de recursos não declarados e práticas que distorcem a vontade popular. Mais do que um caso isolado, o episódio expõe a urgência de fiscalização rigorosa e responsabilização exemplar para proteger a credibilidade das eleições no município.

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