A inauguração da “nova” Ala Vermelha do Hospital Regional de Eunápolis, anunciada pela gestão Robério Oliveira como uma grande entrega, não passa, na prática, de uma reforma básica de um setor que já existia há anos dentro da unidade. O espaço, que ficou quase 12 meses sem manutenção minimamente adequada, foi apenas reestruturado após longo período de desgaste, e não representa uma ampliação real ou inédita dos serviços.
Críticos lembram que, antes das obras realizadas na gestão anterior, a Ala Vermelha era frequentemente descrita por profissionais e usuários como um ambiente insalubre, “um açougue para colocar humanos”, diante das condições precárias de funcionamento. A ex-prefeita Cordélia Torres, segundo sua gestão, promoveu uma humanização agressiva do setor, realizando reformas profundas, equipando a unidade para funcionar como semi-UTI e ampliando o espaço com 7 novos leitos, totalizando 10. Já a atual gestão, afirmam críticos, realizou principalmente uma nova pintura e instalação de armário, sem alterações estruturais significativas.
Apesar da entrega pontual, os problemas do Hospital Regional de Eunápolis vão muito além da recuperação de uma única ala. Moradores reclamam diariamente da falta de insumos básicos, demora e precariedade no atendimento, ausência de serviços fundamentais de ortopedia e cirurgias simples, muitas vezes inviabilizadas pela falta de estrutura adequada. Tudo isso ocorre mesmo o hospital recebendo cerca de R$ 6 milhões por mês da Prefeitura de Eunápolis.
Enquanto a gestão destaca veículos novos, modernizações superficiais e inaugurações simbólicas, a população segue enfrentando um hospital incapaz de atender plenamente às demandas da cidade, um cenário que não se resolve com pintura nova e cerimônia pública.
