O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) lamentou nesta terça-feira (2) os índices educacionais apresentados pela Bahia nos últimos anos. Durante o SOS Bahia Educação, em Salvador, Neto voltou a criticar a chamada portaria da aprovação automática, promovida pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), na qual estudantes avançam de ano sem reprovação, mesmo não atingindo as notas mínimas para tal.
O ex-prefeito de Salvador assegurou que, caso seja eleito governador, uma das primeiras medidas será revogar este mecanismo, o qual ele classifica como artificial e inconsistente. “A aprovação automática é um crime, uma agressão contra os alunos e contra suas famílias. O governador fez tudo isso com propósito de maquiar a nota do Ideb, afinal de contas a Bahia ocupa uma das piores posições do Brasil em qualidade de ensino”, refletiu.
Para ele, Jerônimo não deixa legados à educação estadual, embora seja professor e ex-secretário da Educação. “Ele se utilizou da bandeira da educação para se promover politicamente e o mínimo que esperávamos é que, depois de quatro anos, que ele, como professor, pudesse deixar um legado de transformação na educação pública da Bahia. Isso não aconteceu”, lamentou, em coletiva de imprensa.
Na visão de ACM Neto, o governo petista falha ao não oferecer condições de aprendizado aos alunos durante o ensino médio e também não apresenta soluções e articulação junto às prefeituras para os primeiros anos da educação básica. “O aluno precisa começar bem, na creche, na pré-escola, alfabetização na idade certa e, depois, em toda a evolução do processo de aprendizado até o ensino médio”, analisou.
Os problemas da Bahia, contudo, não se resumem à educação básica, aponta ACM Neto. Ele também condenou à precariedade das universidades estaduais, cujas atividades chegaram a ser paralisadas no final de maio. Para Neto, as instituições do Estado deveriam possuir caráter fundamental de acesso universalizado à educação superior a cidadãos do interior. “Em muitas cidades do interior, não se tem viabilidade econômica para suportar o ensino particular e aí chega a rede pública estadual para garantir a formação de jovens”, disse.
Ele indica que os sistemáticos problemas de infraestrutura e de estímulo às condições de trabalho vêm prejudicando os alunos e professores das universidades estaduais. “As universidades se ausentaram de um trabalho tão importante de pesquisa, que é fundamental para o Brasil. Muitas universidades, inclusive em São Paulo, desenvolvem importantes trabalhos de pesquisa. Aqui na Bahia isso não acontece”, condenou.
