A presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT) no Subúrbio de Salvador, menos de 72 horas após o assassinato de três operadores de internet no bairro do Alto do Cabrito, gerou críticas e repercussão negativa. A visita ocorreu na sexta-feira (19), mas não teve como foco o anúncio de medidas de segurança ou o diálogo com familiares das vítimas.
Na região, o governador participou de um ato para divulgar a viagem-teste do VLT, sistema que deve entrar em operação apenas em julho do próximo ano. O anúncio foi feito no mesmo Subúrbio que está sem transporte ferroviário há quase cinco anos, o que aumentou a insatisfação de moradores e trabalhadores locais.
As críticas apontam que o governo estadual demonstrou falta de sensibilidade diante da gravidade do crime, tratado por investigadores como um ataque ligado à atuação do crime organizado. Para moradores, o gesto passou a impressão de normalidade em meio a um cenário de violência e insegurança.
Na quinta-feira (18), amigos e colegas das vítimas realizaram um protesto em frente ao Centro Administrativo da Bahia (CAB), cobrando providências do governo. Nenhum representante do Executivo estadual desceu para dialogar com os manifestantes, o que ampliou o clima de revolta.
Também há questionamentos sobre a condução da segurança pública e a ausência do Estado em áreas periféricas, onde facções criminosas têm ampliado sua atuação. Manifestantes e lideranças comunitárias cobram ações concretas, políticas públicas permanentes e maior presença do poder público nas comunidades.
O episódio reforça o debate sobre a dificuldade do governo em responder à escalada da violência e levanta dúvidas sobre a capacidade de reconquistar a confiança da população das periferias, especialmente às vésperas do período eleitoral.
